L'ONU e la cultura della pace contro il terrorismo di Marcelo Barros O prêmio Nobel da Paz - que a ONU e Kofi Aman, o seu secretário geral, acabam de receber - não significa tanto um agradecimento pelo pouco que eles têm conseguido fazer e sim, um apelo para que possam ser mais eficazes e eficientes na difícil tarefa de ainda obter a paz. O "Dia da ONU", no 24 de outubro, aniversário de sua fundação, é momento importante para nos interrogarmos sobre o que faz a ONU, encarregada da promoção da paz em um mundo mergulhado na guerra. Do mundo inteiro, pessoas e grupos se felicitam pela existência deste organismo regulador das relações internacionais. Confirmam sua atualidade, mas pedem para a ONU mais liberdade e força real para resolver tensões e servir, efetivamente, à paz e à justiça. Muita gente estranhou o fato de que os Estados Unidos não julgaram necessário consultar a ONU sobre sua decisão de atacar o Afeganistão, como represália aos ataques terroristas, presumivelmente vindos do grupo Al Qaeda, dirigido por Osama Bin Laden. Mais preocupante ainda, é não se ouvir a voz da ONU reforçando a posição dos que, no interior do governo americano e na sociedade civil, trabalhavam por soluções diplomáticas e contra ações de guerra. Governos de todos os continentes se pronunciam contra a rede terrorista. Ninguém desconhece que a opressão sofrida pelos pobres da Ásia e da África vem de uma história de colonialismo, mas também de injustiças internas. Basta lembrar que no próprio mundo árabe, 10% da população possui 90% das riquezas. Falando eticamente, ninguém lamenta menos os milhares de mortos em Nova Iorque, por causa dos milhões de mortes que a política americana tem provocado no mundo. O fato de que armas americanas assassinam diariamente palestinos não justifica nem diminui o horror da iniqüidade cometida contra o povo dos EUA e tantas vítimas do mundo inteiro. O livro do Corão afirma: "Quem mata um ser humano, assassina a humanidade". O importante é não isolar esta tragédia de tantas outras que assolam o mundo. Que se procurem mais profundamente as causas desse e de outros atos de violência. No âmbito das Igrejas, o arcebispo católico de Nova Iorque afirmou que a primeira resposta aos atentados deve ser uma avaliação da política americana no mundo. Representantes de mais de vinte igrejas e movimentos católicos e protestantes americanos, a Conferência Maior dos Superiores Religiosos, os quakers, os metodistas, a Associação de Cooperação Batista, além da Associação Judaica pela Paz, escreveram ao presidente Bush para expressar sua oposição à ação armada americana no Oriente. Deploravam a injustiça cometida contra o povo afegão e denunciavam, no plano interno, os enormes gastos militares, quando "milhões de americanos vivem abaixo da faixa da pobreza, privados dos mínimos cuidados de saúde". (Cf. Actualité des Religions, n. 31 – outubro - 2001, p.VI) Já em fevereiro de 1992, o 2o Simpósio dos Patriarcas Católicos do Oriente, reunidos no Cairo, declarava: "O perigo para a paz do mundo não vem do Islã, mas da nova ordem mundial que assinou a exclusão de muitos povos. Os palestinos, os cristãos do Líbano e outros, são povos sem direito de viver na nova ordem do mundo. Em nome do petróleo a democracia cedeu lugar à ditadura. A opressão atinge tanto muçulmanos como cristãos. Por reação, muitos muçulmanos adotam o integrismo como meio de expressão e instrumento de defesa. Muçulmanos e cristãos moderados migram para sobreviver e reencontrar a dignidade de seres humanos". (Act. Rel. 05/ 03/ 92, p.10-11) Há poucos dias, Abdallah II, rei da Jordânia, tido como pró-americano, declarou à CNN: "Se vocês, americanos, tivessem atuado de modo diferente no Oriente Médio e fossem mais justos na relação entre israelitas e palestinos, duvido muito que essa tragédia (os atentados) tivesse acontecido". A irmã Helen Preejean é conhecida por sua luta contra a pena de morte. Foi personagem do filme "Os últimos passos de um homem". Há poucos meses a imprensa a entrevistou sobre o que ela achava da condenação à morte e execução de Timothy McVeig, o terrorista que detonou uma bomba em Oklahoma e matou centenas de pessoas (1995). A irmã respondeu: "McVeig saiu vitorioso. Executando-o, o governo deu razão a ele quando afirmava que ele, o terrorista, e o governo, se equivaliam. Ambos se servem da morte como instrumentos para seus desígnios. Isso os torna assassinos, sendo que o Estado tem força e poder de Estado". Roberto Crema, presidente do Colégio Internacional dos Terapeutas, escreve: "Como parcelas que somos, do corpo da família humana, todos estamos soterrados nos destroços de Nova Iorque e de Washington. Todos somos algozes e vítimas. Como dizia Sartre: "Estamos sós e sem desculpas". Diante deste teatro de terror, a opção lúcida e crística, é a de apresentar a outra face – não a mesma, bem entendido. Qual face? A da consciência, da responsabilidade e do amor solidário. A consciência de que fazemos parte de uma só família, dividindo a mesma terra e o mesmo céu, bebendo do mesmo poço. Como dizia Gorbachev: "Não haverá uma segunda Arca de Noé. É preciso responder à tragédia, interpretando-a da forma mais ampla possível, extraindo dela o néctar de um sentido que possa nos orientar na tarefa imprescindível da reconstrução". Nestes 56 anos de existência, apesar de muitos obstáculos e entraves, a ONU tem sido força de paz para a humanidade. Que ela se renove, explicitando melhor o Direito Internacional dos Povos e Culturas, assine a Carta dos Direitos da Terra e zele, efetivamente, para que a humanidade possa conviver em paz e justiça. Ela pode tornar-se uma grande rede de intercâmbio igualitário entre os povos: rede de paz e fraternidade. Como conclui Roberto Crema: "Só a rede do amor pode fazer frente à rede do terror. Podemos juntar nossas mentes e corações, dando-nos as mãos, numa corrente de fraternidade, de confiança e de prece, para que a flor possa brotar da dor, para que possamos renascer deste calvário coletivo, para que não tarde a Luz no final dos escombros". [1] - Marcelo Barros, monge beneditino, autor de 24 livros, dos quais o mais recente é o romance "A Festa do Pastor". Ed. Rede. Fax: 062- 372-1135. Email: mostecum@cultura.com.br |